Home > Deslocamentos Compulsórios No Meio Rural > Desenvolvimento Econômico

Caracterização das principais cadeias produtivas

Caracterização das principais cadeias produtivas, em 2015

Cacauicultura:

A produção cacaueira teve crescimento expressivo em todos os municípios do PDRSX. Ocupando áreas anteriormente destinadas à outras culturas na região, a produção de cacau praticamente dobrou nos últimos 10 anos. O cacau produzido é de alta qualidade, bastante gorduroso e a vida útil da cultura é longa. Apesar da qualidade, os preços são mais baixos que aqueles praticados em outras regiões do país, devido a logística de escoamento, que engloba as condições de secagem, armazenagem e transporte. O cacau, comumente produzido com mão de obra familiar ou contratada na região, é colocado no mercado por meio de atravessadores que, por sua vez, revendem o produto para outros intermediários. A produção local tem como destino mercados nacionais e internacionais e é transportada para outras regiões por via rodoviária através de empresas como Cargill e Barry Callibout. Poucos são os produtores que fazem venda direta, sendo os atravessadores uma marca desta cadeia produtiva. A falta de assistência técnica e o baixo emprego de tecnologia na produção foram mencionados como elementos impactantes da qualidade e volume da produção de cacau, resultando na desvalorização do produto no mercado externo. Dificuldades no processamento e beneficiamento da produção merecem destaque, sendo que no município de Medicilândia há uma única e pequena fábrica de chocolates que comercializa os produtos na região. A produção de cacau orgânico foi mencionada como crescente, porém ainda discreta e destinada a mercados internacionais.

Pecuária Bovina:

Segundo a ADEPARÁ, a região do PRDSX produz cerca de 2 milhões de cabeças de gado e abastece a região de Belém, Macapá, Marabá, Castanhal e alguns estados do Nordeste do Brasil. Esta produção é a que mais ameaça a cobertura florestal na região, uma vez que o baixo emprego de tecnologia na recuperação de pastagens e na manutenção das mesmas em condições adequadas à nutrição animal faz com que sua produtividade seja baixa e haja a necessidade de avançar sobre novas áreas ainda florestadas. De acordo com a EMATER, atualmente os pastos da região são conduzidos a taxas de um animal por hectare, sendo que sob manejo adequado a lotação poderia alcançar  dois ou três animais por hectare, algo muito significativo para os produtores da região. Os animais são abatidos nas regiões consumidoras e o transporte realizado por via rodoviária e hidroviária em balsas boiadeiras. As distâncias, somadas às más condições das estradas, encarecem o frete fazendo com que, para competir no mercado, os animais sejam vendidos a preços inferiores que aqueles praticados no país. Não existem frigoríficos certificados na região que possam abater os animais e beneficiar a carne localmente. A carne consumida na região é proveniente de abatedouros municipais, em geral vacas e novilhas abatidas, uma vez que os machos, por serem mais pesados e resistentes, são transportados e preferencialmente comercializados em outras regiões. De acordo com os relatos sistematizados, o principal gargalo da produção é a otimização das pastagens, sendo o manejo e a recuperação de áreas degradadas fatores essenciais para o aumento da produtividade das fazendas.

Subsistência:

A chamada lavoura branca é composta majoritariamente por arroz, feijão, milho e mandioca, e cultivada com emprego de mão de obra familiar e produzida principalmente por famílias beneficiárias de programas de reforma agrária. A produção de alimentos nos últimos 10 anos teve queda em todos os municípios do PDRSX. Algumas culturas sofreram maior redução, como é o caso do arroz, feijão e milho, que na maior parte dos municípios caiu mais de 50%. O custo da produção é o principal motivo para a redução e mesmo o abandono das lavouras. Segundo agricultores, o aumento do preço das diárias dos trabalhadores e escassez de mão de obra – também relacionada à chegada da UHE Belo Monte -  somados ao baixo emprego de tecnologia e dificuldades de acesso ao crédito e assistência técnica, encarece a produção tornando mais barata a compra de alimentos industrializados. A mandioca ainda é o produto mais cultivado, empregada na fabricação de farinha, tapioca e derivados, e sofreu menor redução de área plantada. Boa parte dos alimentos consumidos na região são produzidos em outras regiões do país, chegam aos municípios por via rodoviária através de distribuidoras oriundas do centro-oeste e nordeste. As distâncias, somadas à situação das redes de transporte na região amazônica, fazem com que os alimentos e mercadorias sejam mais caros aos consumidores locais.

Extração Madeireira:

Atividade madeireira é bastante expressiva na região do PDRSX. De acordo ao SINTICMA, até o ano de 2007, antes do avanço da operação Arco de Fogo do governo federal, existiam na região 15 mil trabalhadores empregados no setor madeireiro. No município de Altamira a operação fechou 100% das serrarias, por conta da falta de regularização da atividade das mesmas.  Os municípios com maiores volumes de extração são Uruará e Anapu, sendo que Uruará lidera a produção madeireira regional. A atividade é marcada pela presença de atravessadores que compram as árvores nos lotes e em seguida as entregam para as serrarias. A madeira circula por via rodoviária saindo das áreas de extração até serrarias locais, seguindo serrada até o porto de Vitória do Xingu, onde embarcações se encarregam de deslocar a mercadoria em direção à Belém. Uma vez em Belém, a madeira extraída na região do PDRSX segue rumo aos mercados do sul do país e mesmo internacionais. Como principal gargalo foi identificada a ilegalidade da extração madeireira e dificuldades na formalização da atividade, agravada pelo cenário de baixa regularização fundiária e pouca presença de agentes fiscalizadores na região.

Pesca:

Além de pescadores, a cadeia produtiva da pesca na região envolve barqueiros, beneficiadores, comercializadores do pescado, fabricantes de gelo e lojas especializadas na atividade. Atualmente o tipo de pesca realizada na Volta Grande do Xingu é a artesanal e ornamental. O principal peixe ornamental é o Acari Zebra, espécie endêmica da região, valorizada internacionalmente. Os peixes mais pescados e comercializados são o pacu branco, curimatã, tucunaré, pescada, surubim, cachorra, piau e piranha. A tarrafa, flecha, anzol e malhadeiras, sendo esta última a mais utilizada, são modos de pesca adaptados aos tipos de peixe e profundidade do Rio Xingu. Há preocupação dos pescadores quanto a situação da pesca após o enchimento do reservatório, especialmente sobre incertezas da disponibilidade de peixe, necessidade de novas técnicas de pesca e de novos tipos de embarcações. De acordo com os pescadores, as explosões relacionadas à construção da barragem e a iluminação noturna do rio causada pelas luzes dos canteiros de obras, atrapalham os processos de reprodução e espantam os peixes da região. Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura de Altamira, não apenas as obras da UHE Belo Monte impactam o rio e consequentemente a produção pesqueira. Para a instituição, a retirada de areia em áreas utilizadas para reprodução de peixes, o assoreamento do rio decorrente de atividades agrícolas e pecuárias, o aumento do número de pescadores e do consumo, também são fatores que afetam disponibilidade de peixes na região.